Wandson Lisboa: "Quando tem sonhos, a gente não tem medos do que vem a seguir"
- Joana Miguel Meneses
- 15 de jan. de 2022
- 14 min de leitura
Atualizado: 18 de mar. de 2022
Nasceu no Maranhão e vive no Porto há quase 11 anos. Wandson Lisboa apresenta-se como o "maluco das referências pessoais" e recorda a infância no Brasil. Uma conversa que passa pela Disney, os Legos e o processo criativo na criação de uma campanha. O "ídolo acessível" que, em criança, usava ketchup como sangue, trabalhou no Canal Q com o seu próprio telemóvel e, em 2015, foi considerado um dos instagrammers mais criativos do mundo.

Fizeste comunicação e design gráfico no Brasil e vieste para o Porto, em 2010, para estudar. O que é que te fez ficar em Portugal?
Foi uma sensação de muita coisa, sabe? Eu estava quase desistindo e voltando para o Brasil. Depois, talvez muito trabalho, talvez reconhecimento, não sei qual a palavra correta para dizer isso, mas foi uma mistura de muitas coisas. Estar em outro país... É muito difícil para uma pessoa que é de outro país sentir raízes num lugar. Comecei a sentir raízes no Porto, comecei a sentir raízes em Portugal, e estava gostando muito de viver aqui, criei muitos laços de amizade que são para a vida toda e isso foi pesando. Estava longe da minha família, mas construí outra aqui. Então, não só a nível profissional, mas a nível pessoal, tudo foi-se juntando. Foi aparecendo mais trabalho, foram aparecendo mais amigos, e acabei ficando por aqui.
Sentes que já és um bocadinho português?
Sinto bastante, porque a conexão que tenho com Portugal é gigante. Quando cheguei cá os meus amigos me apresentaram Portugal de uma forma que não é a forma tradicional. Mostraram logo vídeos engraçados, referências visuais, Júlio Isidro, Nuno Markl, Ricardo Araújo Pereira... pessoas que hoje eu tenho o prazer de trabalhar junto. É muito engraçado esse percurso de encontrar essas pessoas pelo meio do caminho, a nível de trabalho.
Já perdeste trabalhos por viveres no Porto?
Já, já perdi. Mas quando tenho trabalho em Lisboa eu falo “chego aí daqui a pouco”. O Brasil é muito grande. Talvez o ensinamento que tenho do Brasil é que eu posso chegar em Lisboa daqui a duas horas e meia, três horas. O trabalho é muito bom, a campanha é muito boa, e dependendo do que é para fazer... Os meus amigos falam que eu me mato indo para Lisboa duas ou três vezes por semana. Já aconteceu quatro vezes por semana ir, voltar para o Porto para dormir, voltar dois dias depois para Lisboa. Mas para mim é trabalho, é como qualquer outro trabalho. Aqui, em Portugal, a gente está acostumada e acha que é muito, muito distante... No Brasil, eu demorava uma hora e meia para chegar no meu trabalho, todos os dias.
Essa descentralização para mim é muito importante, abraçar o Porto como tenho tentado abraçar e mostrar que a distância não existe, nesse sentido digital. Tem sido uma mais valia nesse processo essa distância. Para mim é inócua, não existe.
Estás em Portugal há quase 11 anos. Já disseste que a adaptação foi difícil, mas sentes que cresceste quer a nível pessoal, quer a nível profissional?
Eu cheguei cá com 22 ou 23 anos e só tinha sonhos. Quando tem sonhos a gente não tem medos do que vem a seguir, só tem um sonho, que é tentar fazer o melhor, estudar mais, mostrar para os pais que a gente é capaz, mostrar para os outros que a gente consegue. É só sonhos, sonhos, sonhos. Eu tinha muita coisa aqui guardada. Esse amadurecimento veio com as dificuldades que desse sonho vinham. Eu queria muito que as pessoas olhassem para um trabalho meu e me reconhecessem como bom profissional, independente de qualquer outra coisa. No Maranhão era muito criança, muito novo, tinha muita vontade de ser rapidamente reconhecido pelo meu trabalho. Quando vim para cá demorou um bocado, então esse processo de amadurecimento veio com o trabalho. Eu não reconheço o rapaz que veio para cá, em 2010, e estou tentando conhecer o que está agora falando contigo. Esse processo de amadurecimento não para.
Quando arranjas o teu primeiro trabalho, em Portuga, é no Canal Q. Era isso que ambicionavas?
Não, foi por dinheiro mesmo. Lembro-me de estar com o meu amigo da faculdade, o Miguel Carvalho, que escrevia para o Canal Q e eu só fazia o que me diziam. Mas no bom sentido, atenção, não era um mandado por ninguém. A gente passou no casting e o valor dava para pagar finos. Não era um valor extraordinário, atenção, era muito, muito baixo. Na minha inocência, achava que o Canal Q existia no Porto, porque eu lembro quando foi lançado em Portugal, tinha muitos posters do Canal Q aqui no Porto. E eu, “ah, eles vão arranjar câmara, a gente vai para os estúdios".
Não, eles gravavam tudo com o nosso telefone, meu iPad. Imagina a qualidade do iPad, é assim muito precário. Mas foi uma escola grande. O Canal Q é o New Wave, a Malhação, de Portugal, prepara muita gente para o que vem por aí. Sou muito honrado pelo Canal Q e pelo que aprendi lá. Mas claramente entrei no Canal Q para pagar renda.
Fiz casting para o Curto Circuito, junto com a Cláudia Pascoal, lembro-me de estarmos juntos no casting na Casa da Música. Isso tudo é processo de amadurecimento, perceber tudo do Canal Q também é amadurecimento, depois ir para a cave do Markl é uma espécie de amadurecimento, fazer campanhas para a Disney+ é amadurecimento. É amadurecimento e reconhecimento do seu trabalho.
Quando é que foi o momento que sentiste que o teu trabalho estava a ser reconhecido?
Às vezes eu nem sinto ainda. Vou muito pelo que me chama, o que vou fazer. É uma pergunta difícil, nunca parei para pensar sobre isso. Mas acho que é uma constante. Às vezes nem percebo quando estou na rua e as pessoas vêm falar comigo, não entendo muito bem. Para mim, ainda é uma surpresa. Não estou, a palavra não é convicto, mas não estou 100% cheio de certezas que estou reconhecido pelo meu trabalho, sabe? Não sei se é bom ou ruim, mas é bom para eu colocar o meu pé no chão.
Talvez quando sai o artigo da The Huffington Post, que falaram dos instagrammers mais criativos, aquilo deu um boost bastante grande, mudou a minha vida por completo. Isso foi em 2015, mas ainda hoje não me vejo nesse patamar, então estou sempre em constante mutação. O meu próprio feed do Instagram é uma constante mutação. Às vezes evito muito olhar para aquilo. Gosto de fazer stories, contar histórias, e mostrar para as pessoas o que eu estou vendo e referências visuais, e me animo muito com aquilo.
Mesmo na parte gráfica, tenho feito mais freelancer para o Brasil e mais design gráfico para Portugal do que trabalhar no Instagram nos últimos tempos. Não sei se isso é um problema para o futuro, porque acho que também a internet não dura para sempre. Fenómenos duram, ou não. Não estou a dizer que eu sou um fenómeno, mas as coisas mudam, as coisas são passageiras, não tenho a certeza 100% do meu sucesso daqui a seis meses.
Tentas manter os pés no chão...
Prefiro estar com os pés no chão e ter noção do que está acontecendo, do que estar num patamar, ou me sentir o bonzão. Não me sinto assim. Acredito muito que as pessoas na internet, elas não são boas. As emoções... a gente tem que passar que são verdadeiras. Já disse mais que uma vez, quando não estou bem, não vou sumir da internet, mas fico mais na minha. Já aconteceu campanhas que eu não estou numa situação muito boa mental... fico mais na minha. Não tenho que estar mentindo para as pessoas na internet do que eu estou sentindo. Prefiro não maquilhar essa situação e aparecer no momento certo. Basicamente é isso que tenho feito, não gosto de enganar ninguém. As pessoas têm um radar. Eu percebo que alguém está fazendo uma coisa por... não sei a palavra... mas percebe quando estão fazendo teatro para mostrar alguma coisa.
Falaste de teres sido reconhecido como um dos instagrammers mais criativos do mundo. Quem te segue agora, nas histórias és mais divertido, mas o teu feed acaba por ser o teu portfólio.
Isso foi isso bastante confuso no começo para mim. Eu tinha uma conta no Instagram, outra conta - e ainda tenho -, que é o Instagram que eu fazia os stories que vocês assistem todos os dias e os meus amigos falavam “cara, mete isso público, tira isso do privado”. Eu não tinha coragem. O meu trabalho no Instagram é tão organizado, tão limpinho e agora vou botar maluqueira nos stories? “Não, isso és tu, tu és tu”. Eu fazia reportagens para os meus amigos, sei lá, 10/15 pessoas. A conta privada que eu tenho não é nada de outro mundo, não é para mostrar nada de mais, era literalmente “olha, estou aqui no mercado”. Hoje tem os close friends, basicamente a gente mostra coisas assim, mas naquela altura só queria mostrar reportagens, não estava muito preocupado. Transportei isso para o meu Instagram e tem funcionado, tem trazido um bocado essa alegria dos stories para o feed e não me preocupar tanto com a limpeza do feed. Era uma coisa que eu era muito... ficava muito preso a isso, com medo de serem duas personas.
Mas o que me apetece mesmo, gosto mesmo de fazer, é mostrar as coisas, feed, fazer vídeos...
No próprio feed, acabas por mostrar o processo de criação e dás a conhecer o como chegaste ao resultado final. Achas que isso é relevante?
Claro, porque, no começo, as pessoas achavam que eu usava muito o Photoshop – apesar de usar algum para fazer correção de cores, mudanças em alguma coisa -. As pessoas achavam que o processo era muito simples. Por exemplo, no disco da Cláudia Pascoal, algumas pessoas falaram assim: “pensei que essa capa era Photoshop. Não seria muito mais fácil a capa do disco da Cláudia Pascoal em Photoshop?”. E eu: “não”. Tem o cenário real, a Cláudia entrou mesmo no ponto de exclamação, e acho que é muito mais divertido para quem assiste aquilo e para quem vê o processo e para quem compra o CD e ouve, sabe que existe um processo ali por trás. Não é literalmente uma foto feita em Photoshop, existe um cenário construído para aquilo. É isso que faz o processo. Não estou a culpar quem usa Photoshop, mas acho que o meu processo ainda é muito manual e muito de construir de raiz e o resultado pronto. Pode parecer Photoshop, mas espero que as pessoas compreendam que não é. Mas que bom que pensam que é Photoshop, porque a intenção é essa, também. Às vezes é por isso que eu deixo alguns elementos na imagem falhados, tortos, com um risco, alguma coisa.
Antes do Instagram e das redes sociais, como é que mostravas o teu trabalho?
Acho que o Instagram chegou para me salvar. Eu não tinha um portfólio, não tinha como mostrar para as pessoas o que eu fazia. Eu usava o Facebook, o Twitter, para mostrar o processo de trabalho, ilustrações, os meus desenhos. Ontem mesmo uma pessoa perguntou para mim: “aqueles desenhos do Paga Finos, da tua página, és tu que desenhas?”. Eu fiquei um bocado assim, “sou eu, sim”. “Os desenhos são muito bonitos, já sigo já há muito tempo, mas não sabia que eras tu, pensei que tu que escrevias as histórias”.
Que bom que existe o Instagram, que bom que existem formas de mostrar o teu trabalho. Tenho usado o Instagram para mostrar o que vou fazendo.
Acreditas que a criatividade pode ser treinada?
Não diria treinada. Acho que existe processo. Ou seja, tudo o que eu imaginei, desde criança, desde agora, é igual, o meu processo de pensamento é igual, nunca mudou. Tanto que eu estou sempre rodeado de brinquedos. Trouxe muito da minha infância para perto, para que eu esteja sempre atento às referências visuais, verbais, a semiótica, a imagética da coisa.
Não digo treinado, vira uma coisa forçada. A pessoa que já tem criatividade pode ter mais atenção à sua própria criatividade. Eu, por exemplo, para além disso, tenho processos de fotos e tudo organizadíssimo, desde campanhas e tudo. Anoto todas as referências visuais que eu tenho. Se vi uma coisa na rua eu anoto, eu tiro fotos, faço apontamentos, para depois usar isso no futuro. Tenho milhares de cadernos. Sou o maluco das referências e isso vai ajudando a lidar até com o stress, com as saudades da família, com a ansiedade, com muitas outras coisas. Talvez brincar de ser criativo tenha ajudado bastante nesse processo de estar sozinho em Portugal sem a família e perto dos amigos.
Mas sempre foste muito atento a tudo ou surgiu com o tempo?
Desde criança. Assustadoramente desde criança. Eu pedia para a minha mãe fazer o aniversário que eu queria todos os anos. Até as referências dos aniversários, também, eram de objetos, de formas, as cores... A minha mãe desenhava as roupas à mão, minha tia costurava. Os meus tios são atores, músicos. Cresci nesse mundo com muito respeito e muita diversidade. Foi muito importante. O meu tio, no teatro, tinha todas as marionetas em casa, tinha perucas... Cresci vivendo isso na primeira pessoa de uma forma muito grande. Brigavam muito comigo por ter destruído cenários do meu tio. Destruí cenários e coisas da minha mãe, porque eu usava aquilo no dia a dia para fazer programas de televisão e brincar com o trabalho dos meus tios.
Falando da família, que memórias tens do Brasil?
Já não vou lá há muitos anos. Tenho muita saudade da minha terra, o Maranhão, e tenho muita saudade do mar. Principalmente as referências icónicas do Maranhão, coisas, cores, do bumba meu boi, que é uma dança tradicional, as cores do arraial. Meio de junho foi São João e a gente também comemora da forma muito forte, como se comemora no Porto. Essas coisas vieram para mim nestes últimos dias de uma forma muito forte. Trago comigo essas cores do Maranhão, as músicas, a minha infância de brincar na rua, fazer teatro na rua com os meus amigos, brincar de fazer vídeos com os meus irmãos. Os meus pais eram muito atentos a essas coisas, gostavam muito de tecnologia, sempre tive câmara, desde criança. Filmávamos tudo. Lembro-me de fazer uma série policial com os meus irmãos, o sangue era ketchup, o carro branco do meu tio era o carro da polícia. Com pouco, a gente criava muito e a gente era muito feliz lá no Maranhão.
Os teus pais nunca te puseram nenhum entrave, então.
Não, isso nunca foi um peso lá para casa. O único peso lá em casa era trabalhar e colocar comida em casa. Escolher o que a gente quer ser para o futuro, para ninguém, lá em casa, foi um peso. Ninguém. Posso assumir a palavra do resto da minha família. O problema maior era trabalhar, vamos terminar os estudos e trabalhar. Trabalhei, paguei boa parte da minha faculdade, fiz duas faculdades ao mesmo tempo, foi uma loucura. A preocupação era trabalhar, não era escolher o que a gente queria ser no futuro. Isso deixavam para a gente. Foi muito bom.
Disney, Toy Story, Legos, Pixar… Em que é que te inspiras?
Eu acho que é muito nessas histórias e muito nas cores, na junção dessas cores. Formam muitas coisas na minha cabeça. Vejo os cenários, as cores e até penso no processo que os designers, administradores, essas funções todas, tiveram por trás disso. A forma como eles construíram o guião... não só vejo um filme de forma “ah, vou ver um filme para contar a história”. Depois eu vejo o processo de trabalho que eles tiveram para construir as personagens.
Tenho uma coleção, um monte de livro... É por isso que eu me apaixono muito pelas coisas, porque tenho livro, conheço a história toda e as personagens que eles tentaram desenhar. Compro sempre esses livros dos processos dos ilustradores da Pixar, da Disney, e a gente vê o trabalho que tem por trás e aprendi muito com eles. A gente vai aprendendo muito e a mostrar também esse processo no nosso trabalho.
Disseste uma vez que trabalhar com uma marca é mais do que mostrar um produto. Como é que é esse processo?
Eu trabalho para mim e trabalhar para uma marca é uma consequência do meu trabalho, não estou aqui pensando em só trabalhar para marcas. O processo é muito justo e transparente. Se me chamam para alguma coisa, estão-me a chamar para fazer alguma coisa com a minha linguagem. Já aconteceu de marcas quererem e não é o que eu quero, não tem nada a ver comigo. É por isso que, às vezes, eu trabalho com poucas, mas boas. São pessoas, não só marcas, mas pessoas que estão por trás das marcas que já me conhecem e já sabem o meu processo de trabalho. As reuniões são muitas, é um processo muito aberto, mando muito desenho do que vai ser. Sou muito preocupado com a imagem que vai passar. Tento mostrar mais os rascunhos das coisas e os vídeos. Envio muito guião para as agências quando me pedem trabalho. Tento mostrar que existe um processo de trabalho bastante conciso e bastante preciso na atenção do que é a marca e do que o cliente quer. Tanto a nível digital como a nível gráfico, esse processo existe. Um dia talvez eu lance isso e mostre isso em livros, calendários, seja lá o que for. Tenho os desenhos todos aqui, de todas as campanhas que eu já fiz.
Guardas tudo aquilo que fizeste?
Está tudo guardado. Tudo, tudo, tudo. Não deito nada fora. Há campanhas, das primeiras campanhas que eu fiz, tudo guardado. São processos. E revisitar esses processos é muito importante, porque antigamente eu fazia os trabalhos, entregava a ideia e ia fazer a ideia. Não é assim. O não vem de certeza. Há todo um processo, o cliente tem de participar, a marca tem de participar, os interessados têm de participar nesse processo e assim fica mais fácil.
O revisitares esses processos ajuda-te a melhorar?
Ajuda, completamente. Para todo o lado onde olhas tenho referências de como vou fazer os quadrados do Instagram. Este [caderno] é de 2016, tem fotos que nunca publiquei e quero publicar. Virou quase um passatempo meu desenhar um caderno, desenhar ideias para fotos. É quase um vício já, ficar olhando para as coisas e tentar desenhar. Estou sempre com um caderno e uma caneta na mãe, ou um caderno no bolso.
Acreditas que ainda vais conseguir publicar essas fotografias? Vai ser no Instagram ou o Instagram está muito diferente do que era?
O Instagram perdeu muita coisa. Eu digo que quem quer ser muita coisa não é nada. O Instagram, hoje em dia, quer ser tudo ao mesmo tempo. Talvez esse exponencial de tanta coisa... O Instagram é uma TV, é um TIkTok, é um Snapchat, é um feed de notícias, é uma sala de bate papo, é uma sala da vídeo chamada... Que bom que é e que bom que as pessoas possam se conectar mais, mas está caminhando para outras coisas que não era o que a gente estava querendo no começo, que era criar coisas.
Nada é permanente. Não sei se, nem eu, nem o Instagram, vamos estar aqui seis meses juntos a comunicar para as pessoas. A gente não sabe o que o futuro nos espera, não tem a certeza de nada.
O que é que te deu mais gosto de fazer até hoje?
O que me dá mais gosto fazer, na verdade, é quando estou trabalhando para um cliente e esse cliente me dá carta branca e acredita muito no trabalho e sabe para o que veio, não veio por views, não veio por likes. Veio querendo trabalhar contigo porque é assim, assim, assim. Quando eu escuto isso, é a certeza de que o trabalho vai correr super bem. Não há impasses ali, ele sabe o que quer, eu sei o que quero, a gente junta as ideias, apresento as ideias, apresento os desenhos.
O que é que ainda te falta fazer?
Não posso contar, é segredo. Tem muita coisa, muitos projetos guardados. Acho que já fiz tudo o que queria fazer. O que vier, para mim, é consequência de coisas boas e de muita gente boa e trabalhadora. Sou muito grato pelo que tem acontecido, então não estou aqui a dizer “quero fazer aquilo”. Eu vim para Portugal, tive uma sorte gigantesca e estou muito feliz com o que tem acontecido comigo nos últimos tempos e tem sido uma viagem muito boa.
Como surge o A-MI-ZA-DE?
Surgiu no casamento de um amigo meu. A gente estava todo o mundo numa escada para tirar uma foto, há muito muito tempo. Olhei para todo o mundo, “meu deus, está todo o mundo, meus amigos aqui. A-MI-ZA-DE”. Depois todo mundo no casamento começou.
O que me conecta às pessoas aqui é a amizade. As pessoas me acham meio maluco, ir falar com meio mundo, estar na rua e ser bem disposto. Tento lembrar sempre, mesmo nos dias difíceis, que essas pessoas são parte de uma pequena família que vou adotando ao longo do caminho, porque a minha está longe. Não posso estar refém de pensar sempre que a minha família está longe.
Isso liga-te a quem te segue nas redes sociais?
Se eles perdem tempo nas histórias e me dando like, porque é que eu não posso perder tempo falando com eles? Não é uma troca, mas acho que é uma conexão. Tento fazer o máximo que eu posso e também me ajuda muito falar com muita gente, conheço muitas histórias. Muitos dos meus amigos atuais eu fiz no Instagram.


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